domingo, 23 de outubro de 2016

Classificação e seriação

Classificar e seriar parece estar em nossas vidas muito mais que imaginamos. A Matemática fala sobre a importância de classificar para a compreensão do número, a Ciência fala da ordenação dos elementos químicos e a História trata da importância de sequenciar os fatos históricos para entendermos as causas e as consequências dos fatos passados. Contarei hoje sobre a importância que a atividade de classificar e seriar teve para minha vida acadêmica.
Fiz mestrado em Musicologia. Minha pesquisa foi sobre um compositor, Roberto Eggers (1899-1984). Quando tive o primeiro contato com o acervo desse músico, ele estava "amontoado" num canto do Museu, com uma série de documentas misturados. O primeiro trabalho que tive que realizar foi a classificação e ordenação deses documentos, para só depois, poder analisá-los e escrever a dissertação. Foi uma fase importante do trabalho. Separei os documentos de os documentos de acordo com  sua  origem. Havia jornais, fotos, cartas, partituras, materiais didáticos, livros...Para realizar esse trabalho procurei embasamento na arquivística. Foi um trabalho importante e gratificante.
Foto do Acervo do Músico Roberto Eggers, localizado no Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, na cidade de São Leopoldo.


sábado, 15 de outubro de 2016

FELIZ DIAS DOS PROFESSORES!!!!!!

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MATEMÁTICA

Geralmente a disciplina de Matemática é a grande vilã da escola. Ela assusta! 
Mas hoje preciso registrar o meu encantamento na nossa primeira aula presencial da interdisciplina Representação do mundo pela Matemática. A forma como foi abordada me pareceu extremamente sedutora e apaixonante. Sensação essa potencializada quando cheguei em casa e visitei o site de mesmo nome (Representação do Mundo pela Matemática). 
Lá encontramos uma imensidão de atividades que ensinam Matemática aos nossos alunos  de uma forma diferente. De uma forma prazerosa e divertida. Fiquei horas lendo e relendo, imprimindo e planejando as próximas aulas. 
Só tenho um desejo... conseguir encantar meus alunos como fui encantada...

sábado, 8 de outubro de 2016

Quem nunca trabalhou com Ciências na escola?

Quem nunca trabalho com Ciências na escola? Essa foi uma pergunta feito pelo professor na primeira aula da interdisciplina Representação do mundo pela Ciências naturais. Eu e mais uma ou duas colegas levantamos a mão.
Pensei, "ora, sou professora de Música, não trabalho com ciências".
No decorrer da semana, fiquei pensando sobre isso. Então comecei a lembrar de todas as atividades que faço com meus alunos sobre os cuidados que devemos ter com a voz para cantarmos melhor... a respiração correta para o canto... e vi o quanto me enganei ao dar uma resposta negativa a pergunta inicial do professor.
Falar sobre os cuidados com o corpo é falar sobre Ciências!

Mas ainda há mais relações entre Música e Ciências que podem ser feitas. Há um livro chamado Música e meio ambiente: ecologia sonora, de Marisa Trench de Oliveira Fonterrada.  Nele a autora trata dos sons e dos silêncios, o meio ambiente sonoro, a poluição sonora... ciência pura!!!! Não, não pura, mas com presença muito forte.
Mais uma prova de que as áreas do conhecimento estão cada vez mais cruzando suas fronteiras umas com as outras. Fato que enriquece a todas elas.

Então a dica de hoje é o livro citado acima. Além de tratar o tema de forma muito interessante, dá dicas de atividades práticas que podemos fazer com nossos alunos, trabalhando sons e silêncios.



FONTERRADA, Marisa Trench de O. Música e meio ambiente: ecologia sonora. São Paulo: Irmãos Vitale, 2004. Conexões musicais.


sábado, 1 de outubro de 2016

Ainda sobre o ver e o olhar...

Hoje quero postar algumas fotos que, ao meu "ver", representam o olhar e o ver.


 


Quando apenas "olhamos", temos os espaços vazios... quando "vemos", percebemos a vida que há nos espaços da escola...

Ainda duas sugestões de leitura:

MARTINS, Mirian C. Aprendiz da arte: trilhas do sensível olhar pensante.  São Paulo: Espaço Pedagógico, 1992.

SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991. Tradução: Marisa Fonterrada.

sábado, 24 de setembro de 2016

O "ver" e o "olhar". O "ouvir" e o "escutar"

Não é a primeira vez que escrevo sobre esse tema. Já falamos sobre o ver e o olhar em outro semestre na interdisciplina Seminário Integrador. Agora voltamos a ele na interdisciplina Representação do mundo pelos estudos sociais.
É um tema interessante e sempre é bom lembrar a diferença entre o olhar e o ver. E também entre o ouvir e o escutar.
O olhar, ao menos que fechemos os olhos, acontece o tempo todo. Não há como não olhar o que está a nossa frente. O ver requer reflexão, requer pensarmos sobre o que olhamos, pensarmos o significado, o que está “por trás” daquilo que olhamos. O ouvir e o escutar também podem ser pensados desta maneira. Escutar é físico e, diferente do ver, não pode ser evitado, mesmo tapando nossos ouvidos ( a não ser que entremos em uma cabine que isola o som). O tempo todo escutamos os sons ao nosso redor. Ouvir é diferente, funciona como o ver. Quando ouvimos, pensamos sobre o que ouvimos, refletimos sobre o significado das palavras. 
Precisamos ver e ouvir mais. Aprofundar nosso olhar e nosso escutar. Refletir, entender o que está por trás das cenas e dos sons que acontecem em nossa sala de aula, em nossa escola. Isso fará a diferença na nossa prática pedagógica, na relação que temos com nossos alunos. Na nossa vida e na vida de nossos alunos.

sábado, 17 de setembro de 2016

Sobre escolas gaiolas e escolas asas...

Esta semana tivemos a oportunidade (e o privilégio) de ler o texto "Gaiolas ou Asas" de Rubens Alves.  Digo privilégio não porque poucas pessoas o leram, mas pelo seu excelente conteúdo. O autor escreve sobre dois tipos de escola: as escolas gaiolas e as escolas asas. As escola gaiolas reprimem, seguem programas conteudistas, tentam conter os alunos.  "Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendem a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados têm sempre um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo" (ALVES, 2002, p. 29).
As escolas asas, por outro lado, libertam, ensinam os alunos a pensarem por si próprios, ensinam a caminharem sozinhos. "Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado"  (ALVES, 2002, p. 29).
As escolas asas não podam as crianças. É comum os alunos irem perdendo a espontaneidade dos primeiros anos de escola, como se tivessem sido domesticados. A preocupação com os conteúdos, a disciplina, fazem com que mecanismos de repressão sejam usados em escolas gaiolas. Os alunos aprendem o que e como os professores decidem. Nas escolas asas os alunos são encorajados a falar, lutar. Suas inteligências outras (que as escolas gaiolas desdenham) são valorizadas. Sentem-se capazes. 

E de que forma podemos fazer uma escola asa? 
Rubens Alves resume a boa educação em duas palavras: ferramenta e brinquedo.

"Ferramentas" são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. "Brinquedos" são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma. No momento em que escrevo estou ouvindo o coral da Nona Sinfonia [Beethoven]. Não é ferramenta. Não serve para nada. Mas enche a minha alma de felicidade. Nessas duas palavras, ferramenta e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramenta e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramenta me permitem voar pelos caminhos do mundo. Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma (ALVES, 2002, p. 32).

São palavras que resumem uma forma fascinante de educar. Fiquei encantada...

Relacionando a escola asa com minha escola...

Essa semana realizamos um recital de inauguração do piano da escola. Sim... uma escola pública municipal teve o imenso privilégio de receber a doação de um piano, graças ao esforço de alguns professores envolvidos com projetos de música na escola.
 No recital estiveram presente um grupo de alunos da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS),  com três alunos que nos brindaram tocando algumas peças ao piano e um grupo de percussionistas que tocaram e cantaram. Apresentaram-se também o grupo de música da escola Judith Macedo de Araújo (minha escola). E entre essas belas apresentações, pude executar ao piano uma peça de Ronaldo Miranda chamada "Valsa Só".
Foi lindo...
A plateia consistia em alunos com idades entre 6 e 14 anos. A atenção desses alunos, o respeito, a admiração  eram coisas lindas de se ver.

Estávamos ensinando brinquedos!!! Alimentando a alma de nossos alunos.



ALVES, Rubem. Gaiolas ou asas? In: ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. Campinas: Papirus, 2002, p. 29-32.