Nossa primeira aula da interdisciplina Seminário Integrador VII, assistimos ao vídeo chamado Escolas Democráticas. Trata-se de uma animação produzida por Ellen Stein, parte do documentário "Democratic Schools" de Jan Gabbert (2006).
A animação mostra o cotidiano de uma escola, em que os alunos não têm direito a refletirem, experimentarem, opinarem, vivenciarem os aprendizados. O tempo cronometricamente dividido entre cada disciplina, mostram os alunos recebendo os conteúdos como se não fossem capazes de questionarem ou tirarem suas próprias conclusões. Sem perguntas, sem descobertas, sem envolvimento.
Fernando Becker (2012), apresenta, em seu livro Educação e construção do conhecimento, três concepções pedagógicas: a diretiva, a não diretiva e a relacional. Me deterei sobre a pedagogia diretiva, por apresentar fundamentação para as ideias reproduzidas na animação acima citada.
"O professor fala, o aluno escuta. O professor dita, e o aluno copia. O professor decide o que fazer e, em geral, decide o mesmo de sempre, e o aluno executa. O professor 'ensina', e o aluno 'aprende' (p. 14).
O vídeo apresenta inúmeras situações exatamente como a descrição de Becker para uma aula cuja pedagogia chamou de diretiva. Como exemplo, pode-se citar:
A cena da borboleta, quando a professora, com uma borboleta desenhada no quadro explica sobre o animal, e quando a menina fica a olhar para uma borboleta real pela janela, é xingada pela professora, que fecha essa janela. Uma clássica cena da aula teórica, sem vivenciar ou observar o real. Se a professora estivesse falando sobre a tartaruga-das-galápagos-de-pinta, talvez pudesse somente trabalhar com figuras, mas uma borboleta...
Ou a cena da aula de música... a professora tocando o piano e os alunos sentados nas cadeiras escutando ou talvez cantando. Sim, atividades muito importantes para a Educação Musical. Mas nenhuma criança tem uma aprendizagem musical significativa se não senti-la com o corpo. Se não mexer-se ao sabor do ritmo, se não sentir o som passar pelo seu corpo.
Há também a cena em que os alunos conversam e apresentam uma nova ideia para os professores e diretor da escola. A ideia é imediatamente descartada, sem considerarem a possibilidade de que poderia ser algo bom.
Essas práticas seguem a premissa de que, o objeto age sobre o sujeito, epistemologicamente representada por Becker assim:
S ← O
O aluno é tratado como tabula rasa, sem considerar seus conhecimentos de mundo, adquiridos fora da escola.
Infelizmente, ainda há muitas concepções pedagógicas com o princípio diretivo. Fazer diferente (pedagogia relacional), é algo trabalhoso, é preciso muito planejamento, é preciso ter "cartas na manga", pois não há um rumo certo da aula. As curiosidades dos alunos que escreverão o curso que as aulas tomarão. Mas se quisermos alunos reflexivos, capazes de produzir mudanças no seu meio, é preciso mudar.
É mais trabalhoso, mas também, mais prazeroso!!!!
Referências
BECKER,
Fernando. Educação e construção do
conhecimento. 2 ed. Porto Alegre: Penso, 2012.
STEIN, Ellen. Escolas democráticas. Vídeo. 2008. 6'09''. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=Rumvh3QnL38>. Acesso em: 11 mar. 2018.
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