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domingo, 10 de junho de 2018

Reflexões sobre o uso de tecnologias nas escolas



Não há como duvidar que as tecnologias nos trouxeram avanços, facilidades, vantagens quase inenarráveis em todas as áreas, e entre elas, a educação. Tenho, porém, algumas considerações a fazer sobre seu uso diretamente com os alunos e para isso contarei a minha experiência ao realizar a atividade de avaliação de um projeto e de uma atividade propostas pela Interdisciplina Educação e Tecnologias da Comunicação e da Informação.
Foram disponibilizados sites de vários projetos que fazem uso de tecnologias na educação. Bem como atividades do Portal do Professor.

Após a leitura dos projetos e atividades sugeridos, escolhi avaliar o Projeto Âncora e a atividade A tecnologia para melhoria da higiene ambiental: preservação da saúde humana. Preenchi o questionário com o cuidado que a atividade merecia. Obviamente, tive que entrar e sair várias vezes nas páginas do Projeto Âncora, pois, apesar de ter lido antes de abrir o questionário, havia detalhes que precisavam ser revistos para responder as perguntas com qualidade. O mesmo aconteceu com a avaliação da atividade. Este processo levou um tempo considerável, que por sinal, nos é precioso.
Para minha surpresa, quando cliquei para trocar a página do questionário, a seção havia expirado e perdi todos os dados digitados!!!
Obviamente fiquei muito desapontada, foi frustrante. Certamente não vou realizar a tarefa com a mesma dedicação inicial.

O que quero dizer com isso... que precisamos ter cuidado no que vamos propor aos nossos alunos, pois as eventuais falhas(que não são tão eventuais assim, tratando-se das precárias condições que temos nas escolas) podem causar frustração em nossos alunos e passar a imagem de que as tecnologias mais atrapalham do que ajudam.

Não... eu não penso assim... Mas nossos alunos não tem a mesma bagagem e visão sobre este assunto, por isso precisam ser bem orientados para evitarmos acontecimentos como estes.
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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Imigrantes digitais e nativos digitais

A leitura do texto O trabalho dos professores e as novas tecnologias,  de Eliane Schlemmer (2006) provocou algumas reflexões que gostaria de compartilhar...

Começando pelo título desta postagem. Os termos "imigrantes digitais" e "nativos digitais" são muito interessantes para definir duas categorias distintas de pessoas. Por um lado, a geração analógica, que se depara com toda uma gama de tecnologias a nosso dispor, mas que temos dificuldades em nos relacionar. Entendemos o quanto são úteis e cada vez mais fazem parte de nossas vidas. E se não fizerem, ficaremos para trás, nos estudos, no trabalho, no convívio com nossos alunos e filhos. E por outro lado, não necessariamente o lado oposto, mas ao lado mesmo, no sentido de "lado a lado", estão os nativos digitais. A geração que nasceu quando todo esse aparato digital já estava disponível. A geração que não conheceu a vida sem as avançadas tecnologias a seu dispor.

Eu, uma "imigrante digital", embora familiarizada com apenas uma pequena parcela de todo esse aparato, ainda me encanto com a facilidade de acesso a informações e recursos que a tecnologia nos trouxe. Quando pesquiso sobre os mais diversos assuntos no Google, e tenho a minha disposição milhares de sites a respeito do que estou procurando, lembro do tempo em que íamos à biblioteca da escola pesquisar na Barsa, ou na La Rousse... Atos que tinham seus encantos, penso eu, mas era tudo mais difícil.

Hoje é possível fazer uma tese de Doutorado sentada em casa em frente ao computador. Quando que imaginaríamos isso há vinte anos? Tempo histórico ínfimo para que tantas mudanças ocorressem. E somos obrigados a acompanhar essas mudanças. Questão de sobrevivência!

E planejar as aulas? Nossa! Como ficou mais fácil. Hoje temos uma infinidade de sugestões de atividades num piscar de olhos... sempre encontramos uma que serve exatamente ao nosso objetivo.

Mas é tudo muito rápido... basta pensar no próprio texto de Schlemmer. Quantas tecnologias ela citou em 2006 que já nos soam ultrapassadas... Orkut, por exemplo... quem lembra dele?

Ao ler o texto, não pude deixar de relacionar a maneira como as novas tecnologias são usadas com a Música na escola. Conforme a autora, muitas vezes o Laboratório de Informática da escola é usado como um "tapa buracos". Ou seja, faltou professor, leva para o L. I., ou a ida ao L.I é um prêmio... ou a "não" ida é um castigo. Isso significa que esse rico recurso em uma escola, as vezes, é usado como passatempo. Com a Música, por vezes, isso também acontece. É usada como "auxiliar" para outras disciplinas, para preencher o tempo... os conhecimentos da Música em si, ou as habilidades que ela pode desenvolver, são subestimados.

A autora coloca que a tecnologia deve servir para desenvolver:

-a autonomia
- a autoridade
- a cooperação
- o respeito mútuo
- a solidadriedade interna

O ensino da Música vai por esse caminho também. É capaz de desenvolver habilidades nos alunos a partir dela própria e não como auxiliar.

A proposta de reflexão central colocada por Schlemmer é:

"Estamos incorporando as TDs às práticas pedagógicas já existentes ou elas estão provocando mudanças nessas práticas, nas metodologias que utilizamos, na forma como compreendemos  os processos de ensino e de aprendizagem e, portanto, nas relações que se estabelecem entre professor e aluno a partir de processos de interação utilizando esses novos meios?" (p. 38).

Fazer esta reflexão é muito importante para pensarmos se realmente estamos inteirados com todas as possibilidades que as tecnologias digitais nos proporcionam. Sempre teremos uma espécie de "sotaque" analógico, mas ainda somos de suma importância para mediar os nativos tecnológicos e as tecnologias digitais. Esta mediação talvez seja para a escolha das informações confiáveis disponibilizadas online.

Para encerrar, é preciso lembrar da enorme disparidade que ainda há entre os alunos das diferentes classes sociais. Os alunos das escolas públicas ainda não têm acesso a essas tecnologias. O máximo que têm é um celular sem acesso a internet, e quando conseguem uma rede, usam para acessar o facebook. Esse é um ponto que precisa ser pensado.

Referências:

SCHLEMMER, Eliane. O trabalho dos professores e as novas tecnologias. Revista textual. set. 2006.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Cultura digital


Os professores da interdisciplina Educação e Tecnologias da Comunicação e da Informação sugeriram a leitura de alguns textos. Ao ler o texto "A cultura digital nas escolas: para além da questão do acesso às tecnologias digitais", de Lopes e Schlemmer, fiz algumas reflexões à partir do seguinte trecho:



Num pais de escala continental como o Brasil, as políticas e ações para a inclusão digital têm centrado seus esforços primordialmente em possibilitar o acesso a alguns recursos digitais, principalmente à internet. Porém, a reflexão sobre a via de exclusão que tem surgido em relação à cultura digital não pode ficar limitada às questões econômicas, à questão do acesso material aos aparatos tecnológicos que possibilitam o acesso ao mundo digital. É preciso levar em consideração a análise dos novos regimes cognitivos que se produzem em interação com as tecnologias digitais, principalmente nos espaços escolares, à medida que esses espaços passam a exercer papel primordial nas políticas públicas de inclusão digital. Nesse sentido, o problema de se fazer parte de uma cultura digital que entra na pauta das atribuições da escola traz à tona um duplo processo: técnico e simbólico; isto é, a discussão que envolve as tecnologias digitais exige que se leve em consideração tanto os aspectos técnicos quanto culturais. (LOPES; SCHLEMMER, 2012, p. 158).


A questão material é fundamental, ou seja, computadores, internet, são pontos básicos para que a inclusão digital aconteça. Mas há algumas considerações a fazer. Atualmente, mesmo em comunidades bastante pobres, a grande maioria dos alunos, pelo menos os adolescentes, possuem um celular. E diga-se de passagem, muitas vezes de ótima qualidade. Isso resolve, em parte, o problema do acesso à máquina. O acesso à internet, noto que muitos possuem, mas nem todos. O que vejo é um compartilhamento, entre os próprios alunos, da internet. Isso proporciona uma rica ferramenta de trabalho em sala de aula.

Mas temos dois pontos a considerar:

O uso do celular é proibido na sala de aula. A lei federal que estabelece essa proibição está afixada na parede de cada sala de aula. Ou seja, o uso do celular como ferramenta ainda não se tornou um hábito entre os professores.

E ainda: já presenciei situações em que os alunos foram solicitados pelos professores a pesquisarem em seus celulares. Em resposta, vieram protestos dos estudantes, pois não queriam gastar sua internet.

São estes dois pontos que me fizeram refletir sobre a questão da inclusão digital ser essencialmente uma questão cultural. O acesso às redes sociais é muito mais valorizado pelos estudantes do que uma pesquisa acadêmica. Não que não se possa fazer trabalhos interessantes através de uma rede social, mas arrisco a pensar que a inclusão digital não seria somente o acesso às tecnologias, mas muito mais que isso, fazer os alunos se interessarem por outros recursos que a internet oferece. Talvez seja esse o nosso principal papel na inclusão digital.

Referências:

LOPES, Daniel de Queiroz; SCHLEMMER, Eliane. A cultura digital nas escolas: para além da questão do acesso às tecnologias digitais. In: SEGATA, Jean; MÁXIMO, Maria Elisa; BALDESSAR, Maria José (Org). Olhares sobre a cibercultura. 1 ed. Florianópolis: CCE/UFSC, 2012.