Mostrando postagens com marcador Adote um escritor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Adote um escritor. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de novembro de 2016

Sobre escolas gaiolas e escolas asas 2


Em agosto publiquei algumas reflexões sobre o texto de Rubens Alves que havíamos lido para a interdisciplina Seminário Integrador. Naquela postagem escrevi sobre o recital de inauguração do piano que nossa escola recebeu. Vale a pena repetir a citação do texto que fiz para embasar minha reflexão:


"Ferramentas" são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. "Brinquedos" são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma. No momento em que escrevo estou ouvindo o coral da Nona Sinfonia [Beethoven]. Não é ferramenta. Não serve para nada. Mas enche a minha alma de felicidade. Nessas duas palavras, ferramenta e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramenta e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramenta me permitem voar pelos caminhos do mundo. Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma (ALVES, 2002, p. 32).


Hoje quero apresentar mais uma atividade realizada na minha escola que, segundo Rubens Alves, é "brinquedo", "nos permite voar pelos caminhos da alma". Trata-se do projeto Adote um escritor". Todos os anos, as escolas municipais de Porto Alegre "adotam" um escritor, ou seja, escolhem um escritor e trabalham suas obras com seus alunos e, para finalizar, o escritor vem até a escola e conversa com os alunos sobre seus processo de escrita (é um projeto da Secretaria de Educação).

Este ano, nosso Adote foi um pouco diferente. O autor escolhido foi Fernando Pessoa, e quem veio declamar seus poemas foi o ator Jairo Klein, que se caracteriza como o poeta e declama seus versos.

As turmas que receberam o ator foram da EJA (Educação de Jovens e Adultos). Entre os muitos poemas trabalhados, escolhemos "Noite de São João" para fazermos o cenário para esperar o autor. Esse poema, de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, foi musicado por Vitor Ramil. Eis os versos:

Noite de São João para além do muro do meu quintal
Do lado de cá, eu sem noite de São João.
Por que há São João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruido de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

Em conjunto com os alunos, construímos um muro, um céu muito estrelado e um menino a espiar por esse muro. E pelo restante da sala, montamos uma festa de São João. Este cenário ambientou de maneira fascinante a representação do ator. Ele "se transformou" em Fernando Pessoa no palco. Foi se maquiando e explicando aos alunos o processo de ser ator, de preparação, construção do personagem, concentração... E arrasou na sua interpretação!!!!!!!!

foi uma oportunidade única para nossos alunos da EJA assistirem a um espetáculo tão bem feito como esse. Ficamos extremamente agradecidos e felizes por estarmos ali naquele momento especial.

Mais uma vez oportunizamos "brinquedos" a nossos alunos!!!!!!

Como reflexão posterior, estamos analisando aspectos de "intermidialidade", uma vez que o poema foi escrito por Fernando Pessoa, musicado por Vitor Ramil, encenado por Jairo Klein e transformado em Arte Visual por nós da EJA. 








quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Adote um escritor - E.M.E.F. Judith Macedo de Araújo

No projeto Adote um Escritor, promovido pela Secretaria de Educação de Porto Alegre), realizado na E.M.E.F. Judith Macedo de Araújo recebemos a visita do autor Cássio Pantaleoni. Entre os vários títulos de sua coleção, há apenas um deles que se enquadra na literatura infantil. Trata-se do livro “A corda que acorda”. Conta a história de uma menina que encontra um piano e começa a tocá-lo. A magia da música faz com que todos os objetos presentes na sala onde se encontra o piano passem a ter vida e comecem a dançar. Sejam eles bonecos, como palhaço, bailarina, peixe, girafa, como objetos, tais como xícaras, vasos, guarda-chuva. Em forma de poema, o autor vai desenvolvendo a história como um momento mágico instituído pela música e pela imaginação da menina que está a tocar o piano. No final da história a menina abandona o piano e tudo volta a ser silencioso e estático como antes. Escolhi esse livro para trabalhar, mesmo sendo meus alunos da faixa etária entre 15 e 50 anos. Primeiro, pela Escola possuir um piano, devido ao projeto Piano Livre, e também, obviamente, por me dar oportunidade de falar sobre o piano, sua história, seu mecanismo, seus sons. Mas o objetivo final foi poder refletir com meus alunos a magia da música, ou da Arte como um todo, bem como a magia da infância, ou a pureza da criança, única capaz de fazer com que os objetos tornem-se dançantes. Conceito construído a partir do pressuposto de que a criança é um ser inocente, livre de preocupações, vivendo a melhor fase de sua vida. Mas, serão todas as infâncias assim? Essa constatação dos alunos me remeteu ao texto “Retratos de uma infância contemporânea: os bebês nos artefatos visuais”, de Borges e Cunha (2015), trabalhados na interdisciplina Infâncias. Nesse texto as autoras falam da “infância soft”, uma infância retratada (nos rótulos dos produtos infantis) com bebês sempre fofinhos, saudáveis, longe de qualquer preocupação, bem alimentados, amados. Sim, são esses bebês que vendem os produtos, mas é preciso pensar em outras infâncias, naquelas infâncias que não são tão bem cuidadas, que não tem a alimentação necessária, que conhecem a violência, o medo. Elas estão excluídas do espaço infância vendido pela mídia, mas é preciso pensar nelas e como protegê-las também. E é preciso questionar: elas têm essa “pureza” retratada nesses bebês? O que é possível fazer para fazer dessas infâncias uma espaço de sonhos, de brincadeiras, de inocência, tão pretendido pela nossa cultura?

Enfim... o livro é ótimo, podemos fazer muitas reflexões a partir dele e tivemos uma ótima conversa com o autor. 

A seguir a foto da instalação que fizemos para esperar nosso autor Cássio Pantaleoni!